Atos 2:42 – A IGREJA NUMA VIDA FRUTÍFERA
“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.”
Você já pensou a respeito da importância da oração para a sua vida diária? A oração é um dos pilares fundamentais da vida cristã. É o meio pelo qual o servo se comunica com Deus. É através da oração que expressamos nossa adoração, confessamos os nossos pecados, agradecemos pelas bênçãos recebidas e intercedemos pelas nossas necessidades e também pelas dos outros.
Desde o Antigo Testamento, a oração é apresentada como um ato vital para a comunhão com Deus. Quando os crentes são pobres na prática da oração, revela-se claramente a superficialidade desse cristão nas mais diversas áreas de sua vida. Aqueles que têm vida de oração prosperam em todas as áreas: crescem espiritualmente, tornam-se maduros e saberão enfrentar as crises que lhes sobrevêm.
No último domingo, a mensagem teve seu enfoque na vida cristã bem-sucedida por estar sempre sob a autoridade do Senhor Jesus. Olhamos para as páginas do Novo Testamento e encontramos, no livro de Atos dos Apóstolos, o relato maravilhoso de uma igreja cujos membros se dedicavam fervorosamente, demonstrando características de frutificação pela mediação da videira verdadeira – o Senhor Jesus Cristo.
Foi assim que a igreja caminhou no passado e deve continuar sua caminhada ainda hoje. O desafio é este: que a igreja tenha consciência de que precisa andar, a cada dia, numa vida frutífera. Essa foi a sugestão do tema da semana passada e continuo com o mesmo tema.
Naquele domingo, a abordagem do texto trouxe as seguintes lições: perseverar na comunhão e perseverar no partir do pão. Seguindo a sequência do texto bíblico, hoje vamos abordar a necessidade e a importância da oração na vida cristã, tanto pessoal como coletiva.
Além de perseverarem na doutrina dos apóstolos, na comunhão e no partir do pão, aqueles cristãos dedicavam-se também às orações. Sim, é isso mesmo: os cristãos perseveravam nas orações.
TEMA: A IGREJA NUMA VIDA FRUTÍFERA
Cresce:
1. NA ORAÇÃO, PORQUE COMPARTILHA SEUS DESEJOS A DEUS
Aqui trata-se de comunicação. No Breve Catecismo de Westminster, ao tomarmos conhecimento da pergunta número 98, encontramos uma definição do que é a oração:
“Oração é um oferecimento dos nossos desejos a Deus, por coisas conformes com a sua vontade, em nome de Cristo, com a confissão dos nossos pecados e um agradecido reconhecimento de suas misericórdias.”
Se desejamos frutificar em nossa vida espiritual, precisamos aprender a compartilhar nossos desejos com o nosso Deus. Isso deve ser feito com humildade, sinceridade, fé e confiança no Senhor. Na prática, significa reconhecer que não somos autossuficientes; pelo contrário, dependemos inteiramente do nosso Deus.
Há um cuidado que precisamos ter: a oração não pode ser apenas um ritual com palavras decoradas, como se estivéssemos discursando. Não é isso. Pelo contrário, na oração há princípios que precisamos aprender. Por exemplo:
a) Sinceridade:
Temos que abrir nosso coração de forma simples e sincera, expondo nossas necessidades ou nossos agradecimentos.
b) Ordem lógica na oração:
Há uma ordem lógica em nossas orações. Por exemplo, no culto público, quando somos convidados a orar em voz alta, precisamos prestar atenção ao momento da liturgia.
- Se é o início do culto, devemos expressar louvor, adoração e engrandecimento ao Nome do Senhor.
- Se é o momento de confissão, devemos declarar nossa dependência do Senhor e suplicar o perdão dos pecados.
- Se é o momento da pregação, da exposição da Palavra de Deus, nossa oração deve ser direcionada ao Trono da Graça, suplicando que aquela Palavra da Escritura que está sendo lida toque profundamente nossos corações pelo poder do Espírito Santo.
Devemos também orar para que o pregador seja usado como instrumento nas mãos do Senhor na exposição da Palavra.
2. NA ORAÇÃO, PORQUE SABE QUE ESTE É UM MEIO DE GRAÇA
Fazendo uma abordagem mais ampla no ensino da Palavra sobre o tema da oração, destaco também a pergunta 88 do Breve Catecismo de Westminster, que traz a seguinte resposta:
“Os meios exteriores e ordinários pelos quais Cristo nos comunica as bênçãos da redenção são as suas ordenanças, especialmente a Palavra, os sacramentos e a oração, todos os quais se tornam eficazes aos eleitos para a salvação.”
A conclusão é esta: a oração é um meio da graça de Deus, juntamente com os sacramentos do batismo e da Ceia do Senhor e com a pregação da Palavra.
É por esse motivo que precisamos nos dedicar à oração. Ela é um meio pelo qual alcançamos a graça de Deus. Os cristãos têm o grande privilégio de se achegarem ao trono da graça para conversar com Deus.
Mas é importante definir o que significa “meio de graça”: são instrumentos pelos quais Deus transmite suas bênçãos ao seu povo. Por meio deles, Deus concede força, paz, conforto, instrução, disciplina, alegria e muitas outras bênçãos. Este é o caminho para que todos os crentes cresçam.
A oração não muda a vontade de Deus, mas nos alinha a ela e nos prepara para receber o que Ele deseja nos dar.
As principais bênçãos decorrentes da oração como meio de graça são:
a) A presença e o consolo do Espírito Santo;
b) Paz e alegria interior;
c) Aumento da perseverança, fortalecendo a fé para que o cristão persevere até o fim;
d) Certeza do amor de Deus;
e) Crescimento na santificação;
f) Fortalecimento da intimidade com Deus.
Quer crescer espiritualmente em sua vida cristã? Aproprie-se, pela fé, de todas as bênçãos que o Senhor oferece através da prática da oração como meio de graça que Ele próprio instituiu.
CONCLUSÃO
A igreja tem uma vida frutífera. Isto é maravilhoso. É assim porque o próprio Deus tem um cuidado especial para com a sua igreja, o seu povo eleito.
Ele nos chama, nos capacita e nos dá livre acesso para que, através da oração, compartilhemos nossos desejos com Ele. Também por meio da oração a graça de Deus nos alcança, oferecendo-nos crescimento espiritual e uma vida santificada.
Que o Senhor nos ajude a receber todas essas bênçãos que Ele tem para nós.
Amém!
Rev. Elton de Campos
