Este ano celebramos os 508 anos do Movimento da Reforma Protestante, iniciado em 31 de outubro de 1517, na Alemanha, com a atitude ousada e corajosa do monge agostiniano Martinho Lutero, que publicou ou afixou na porta do Castelo de Wittenberg suas famosas 95 Teses. Lutero protestou contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica Romana, especificamente contra a prática da venda de indulgências — um sistema pelo qual o perdão dos pecados era obtido mediante contribuição financeira à Igreja.
Ao ler Romanos 1:17, Lutero entendeu que “o justo viverá pela fé”, e essa compreensão o levou a concluir que a salvação não poderia ser comprada ou conquistada, mas era um dom gratuito de Deus. A Reforma Protestante, portanto, começou como um movimento de contestação e foi responsável por uma profunda reinterpretação da relação entre o cristão e a Igreja.
As proposições teológicas que fundamentaram esse movimento ficaram conhecidas como os Cinco Solas, frases latinas que marcaram a diferença entre a teologia reformada protestante e a teologia católica romana. Com isso, a separação da Igreja Católica foi consolidada, estabelecendo uma fé que afirmava a supremacia das Escrituras e a centralidade de Cristo.
Apesar de ser um ato revolucionário para o sistema político e religioso da Idade Média, o gesto de Lutero é visto pelos cristãos como uma reforma que trouxe a Igreja de volta aos princípios inegociáveis do Evangelho. O movimento se espalhou pela Europa e foi resumido em cinco grandes princípios: Sola fide, Sola scriptura, Solus Christus, Sola gratia e Soli Deo gloria.
Antes da Reforma, figuras como John Wycliffe, Jerônimo Savonarola, e João Huss já questionavam a autoridade da Igreja Católica, muitas vezes pagando com a própria vida por sua fidelidade às Escrituras. João Huss, ao ser sentenciado à morte, disse: “Podem matar o ganso (em alemão, ‘huss’ significa ganso), mas daqui a cem anos, Deus suscitará um cisne que não poderão queimar.”
De fato, 31 de outubro de 1517, cem anos após a morte de João Huss, foi o dia em que Lutero, com coragem e fidelidade às Escrituras, afixou suas 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg. Essas teses resumem a crença de que Cristo exige arrependimento e tristeza pelo pecado, e não a penitência ou o pagamento por indulgências. Com a difusão de seus estudos, surgiram os Cinco Solas, que se tornaram pilares da Reforma Protestante, fundamentando a nova fé cristã.
A Reforma não foi uma inovação, mas um retorno aos ensinamentos da Igreja primitiva. Foi um movimento que reformou a Igreja e devolveu à Bíblia o seu lugar de autoridade, reafirmando a centralidade de Cristo e a salvação pela graça.
Os Cinco Solas da Reforma:
- Sola Scriptura – A Bíblia é a única fonte de autoridade para o cristão. Ela é superior à Igreja e à tradição. Nenhum concílio ou dogma pode se sobrepor à Palavra de Deus. A Escritura é inspirada, inerrante, infalível e suficiente.
- Sola Fide – A salvação é obtida somente pela fé. Não podemos ser justificados por obras, mas pela fé em Cristo. A salvação é o presente de Deus, não fruto de nossos méritos.
- Sola Gratia – A salvação é uma dádiva de graça imerecida. Deus nos oferece perdão e salvação apesar de nossa indignidade. A graça de Deus é a única causa da nossa redenção.
- Solus Christus – Cristo é o único mediador entre Deus e os homens. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Não há salvação fora dele, pois ele é o único que pode reconciliar a humanidade com Deus.
- Soli Deo Gloria – Toda a glória pertence somente a Deus. A razão pela qual existimos é para glorificá-lo. Não devemos buscar a glória para nós mesmos, mas viver para o louvor de Sua glória.
Conclusão:
Ao relembrarmos a história da Reforma Protestante, somos chamados a viver de acordo com os princípios que marcaram esse movimento: uma fé fundamentada nas Escrituras, salvação pela graça por meio da fé, e a glorificação exclusiva de Deus. O exemplo de Lutero, de fidelidade às Escrituras, deve nos inspirar a refletir e praticar esses ensinamentos diariamente. Devemos ser uma Igreja que impacta e influencia positivamente as novas gerações e a sociedade.
A Reforma Protestante foi necessária para que a Igreja retornasse às suas origens, à centralidade das Escrituras e à preeminência de Cristo. Que, ao celebrarmos esse legado, reconheçamos a supremacia de Cristo, seu sacrifício por nós e que nossa vida seja construída sobre esses pilares, guiados pelo Espírito Santo e fundamentados pela fé. Toda honra e glória sejam dadas a Deus.
IPB Itapuca
Deus Seja Louvado


