CAPELANIA DA SAÚDE – PROCESSO DE ENVOLVIMENTO COM A VIDA ESPIRITUAL
Salmo 9:9-10
O ser humano foi criado de forma perfeita pelo próprio Deus (Gênesis 1:26). No entanto, logo o homem e a mulher perderam seu estado original de perfeição e caíram em desobediência contra o Senhor. Assim, ao errarem o alvo da santidade de Deus (pecado), passaram a sofrer suas consequências.
Mesmo diante da realidade do pecado e de seus efeitos, temos um Deus poderoso e amoroso, sempre pronto a nos acolher e abençoar. É nesse contexto que encontramos as belas palavras de consolo no Salmo 9, versos 9 e 10. Para aqueles que se dispõem a levar uma palavra de estímulo e ânimo aos enfermos, este salmo é um verdadeiro bálsamo para todos os que necessitam.
Diante disso, precisamos compreender qual é o processo de envolvimento com a vida espiritual.
TEMA:
CAPELANIA DA SAÚDE – PROCESSO DE ENVOLVIMENTO COM A VIDA ESPIRITUAL
I – AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO ESTÃO LIGADAS A VÁRIAS DIMENSÕES DO SER HUMANO
• Dimensão Física
Indivíduos que praticam a espiritualidade tendem a adotar hábitos de vida mais saudáveis e ter melhor adesão ao tratamento médico. A espiritualidade também auxilia na gestão da dor física, reduzindo o estresse e a ansiedade associados à enfermidade.
• Dimensão Mental
A espiritualidade contribui significativamente para a saúde mental, oferecendo conforto e fortalecendo o bem-estar psicológico. Está associada a taxas reduzidas de doenças como depressão e ansiedade, além de ajudar no desenvolvimento de melhores estratégias de enfrentamento em situações difíceis, como doenças crônicas ou terminais.
• Dimensão Social
Embora a espiritualidade seja uma experiência pessoal, suas práticas frequentemente envolvem comunidades e redes de apoio. Essas conexões fortalecem o comportamento social e o bem-estar geral, promovendo suporte mútuo.
• Dimensão Espiritual
Refere-se à busca de sentido e propósito. Para nós, cristãos evangélicos e reformados, o cuidado espiritual tem o propósito de nutrir essa dimensão, permitindo que a pessoa encontre significado em sua experiência de vida, mesmo no sofrimento.
II – ACONSELHANDO OS ENFERMOS
a) João 14:13
“E tudo o que vocês pedirem em meu nome eu o farei, a fim de que o Filho revele a natureza gloriosa do Pai.”
A Bíblia de Estudo Conselheira explica essas palavras de Jesus:
“A identificação de Jesus com Seus discípulos é de mão dupla. Eles vão imitá-lo, e Jesus atenderá aos seus pedidos feitos nessa união.”
b) Conhecendo comportamentos diferentes diante do luto – João 11
Neste capítulo encontramos variadas reações humanas diante da perda e do sofrimento, oferecendo base para compreender atitudes distintas no processo de luto.
III – ÉTICA NO ACONSELHAMENTO
1. Aspectos Gerais
a) Qual é a nossa responsabilidade diante dos pacientes?
Representar Deus — ser Seus embaixadores.
b) Quem é o meu próximo?
O paciente criado à imagem de Deus.
2. Aspectos Morais
a) Confidencialidade
Proteger informações sensíveis e sigilosas, garantindo que apenas pessoas autorizadas tenham acesso.
b) Respeito
Tratar o paciente com seriedade, amor e consideração.
c) Integridade
Evitar promessas falsas ou vazias, como: “O que depender de mim, vou tirar você daqui do hospital…”
d) Veracidade
Evitar assumir o papel de médico — não receitar, não criticar tratamentos, nem agir como especialista da saúde.
e) Genuinidade
Cuidado para não espiritualizar de forma inadequada a enfermidade ou corromper o aconselhamento. O cuidado genuíno com o paciente deve ser sempre o foco primário.
3. Aspectos Legais
a) Seu lugar no aconselhamento
O cristão deve respeitar as esferas e hierarquias de autoridade ordenadas por Deus.
b) Cuidados a serem tomados
b.1 – Seja honesto ao divulgar seu trabalho.
Explique claramente se você é conselheiro bíblico, capelão ou membro da equipe de visitação. Isso evita que o paciente o confunda com um psicólogo ou psiquiatra.
b.2 – Transparência na apresentação
Informe ao paciente que ele receberá orientações baseadas na Bíblia e em seus ensinamentos.
b.3 – Evite promessas miraculosas
Afirmar coisas como “Você vai sarar dessa doença, em nome de Jesus” ou “Isso não é nada, logo sara!” pode gerar falsas expectativas e configurar propaganda enganosa.
b.4 – Mantenha sua igreja informada sobre o trabalho
Se possível, tenha um grupo de irmãos orando por você e apresente relatórios periódicos do ministério.
CONCLUSÃO
Que o Senhor use cada um de nós como instrumentos em Suas mãos, para levar consolo, ânimo e edificação aos enfermos e seus familiares.
Amém!
Rev. Elton de Campos

